PISTOLEIROS DE MINOTAURO ESTÃO NA LISTA DE SUSPEITOS DE EXECUTAR JORNALISTA BRASILEIRO

Promotor paraguaio disse que essa é uma das suposições; pistoleiros são foragidos do presídio de Pedro Juan Caballero

Por Pedro Fontoura 19/02/2020 - 21:28 hs
Foto: ABC COLOR PY
PISTOLEIROS DE MINOTAURO ESTÃO NA LISTA DE SUSPEITOS DE EXECUTAR JORNALISTA BRASILEIRO
Minotauro é considerado narcotraficante perigoso

Campo Grande News/Silvia Frias

A polícia paraguaia investiga se pistoleiros ligados ao traficante Sérgio Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, podem estar ligados à execução do jornalista brasileiro Leo Veras, 52 anos, ocorrida no último dia 12, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Segundo publicação do jornal paraguaio ABC Color, o promotor Marcelo Pecci, porta-voz da equipe de investigação e integrante do grupo que investiga o crime organizado, foi questionado se seis pistoleiros foragidos do presídio de Pedro Juan, integrantes do PCC e sob o comando de Minotauro, estariam ligados a morte do jornalista.

O promotor limitou-se a dizer que esta é uma das versões sobre os possíveis responsáveis para a execução.

Léo Veras foi assassinado em casa, enquanto jantava com a esposa, o filho e o sogro, em Pedro Juan Caballero. Os executores chegaram em Jeep Cherokee branco, estavam encapuzados e armados com pistola 9mm. O jornalista ainda tentou correr, mas foi ferido com 12 tiros, a maioria nas costas e um na cabeça.

O suspeito - Minotauro foi preso no dia 4 de fevererio de 2019 em Balneário Camboriú (SC) e, segundo a polícia, é uma das lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A mando dele, sob a tutela de seu sucessor, Edson Barbosa Salinas, o “Salinas Riguaçu” teriam sido ordenadas as execuções da advogada argentina Laura Marcela Caruso, no dia 12 de novembro de 2018 e do empresário Chico Gimenez, no dia 17 de janeiro de 2019, ambos, em Pedro Juan Caballero. No total, o grupo seria responsável por mais de 150 mortes na fronteira.

Os pistoleiros que fariam parte da execução de Veras estavam entre os 75 presos que fugiram na madrugada de 19 de janeiro de 2020 do presídio de Pedro Juan. Eles haviam sido detidos em 2019, numa operação desencadeada para desarticular a estrutura criminosa comandada por Minotauro.

O narcotraficante é visto como um dos “reis” do tráfico na fronteira e liderança do PCC que despontou no domínio da região depois da morte de Rafaat. Duas semanas antes de ser preso, em fevereiro, e com pessoas sendo executadas todos os dias em Pedro Juan Caballero, o traficante, com apoio do PCC, tentou retirar da fronteira uma grande carga de cocaína.

Os 940 quilos da droga em um utilitário da BMW foram apreendidos na BR-463. Pistas que surgiram após a apreensão ajudaram a polícia a localizar Minotauro no litoral catarinense. O tráfico movimenta uma fortuna todos os anos no Brasil. Estimativas apontam movimento de R$ 17 bilhões por ano no país.

CRONOLOGIA MACABRA

Em 1991, o jornalista Santiago Leguizamón foi emboscado e fuzilado Em 1997, foi morto a tiros o radialista Calixto Mendoza; em 2000 foi a vez de Benito Ramón Jara ser assassinado a bala.

Outra vítima da máfia da fronteira foi Samuel Román, fuzilado em 2004 diante da mulher. Julio Benítez foi assassinado com quinze tiros em 2006, na cozinha de sua casa; Paulo Rocaro, redator do Jornal da Praça, de Ponta Porã, assassinado em seu automóvel em 12 de fevereiro de 2012. O radialista Marcelino Vázquez foi morto em 2013, e outro radialista, Fausto Gabriel Alcaraz, foi assassinado em 2014. O locutor de rádio Gerardo Servián foi emboscado e assassinado numa rua de Ponta Porã em 2015, e por último, Léo Veras, neste fevereiro de 2020.